quinta-feira, 29 de junho de 2017

Tavapensandoaqui no homem do século passado

Tavapensandoaqui no homem do século passado. Aquele que atendia ao telefone com fio, assistia TV em preto e branco e ouvia radio em ondas curtas. Alguns mais abastados tinham vitrolas onde tocavam os LPs de 78 rotações. Se você procurar bem ainda deve encontrar alguns exemplares desses homens primitivos em perfeito estado de funcionamento andando pelas ruas, com suas calças largas gastas pelo tempo e arrastando pelo chão, sapato de couro gasto, mal engraxado, reparado pelas meias-solas e com suas camisas sociais puídas, gastas pelo tempo que são testemunhas de muita experiência de vida. Pode vê-los indo em direção a uma praça para encontrar outros seres primitivos e juntos darem comida aos pombos ou jogarem uma partidinha de damas ou um carteado. Esse homem primitivo caminhava uns bons quilômetros para ir de casa ao trabalho, usava roupas cinzentas, sem cores (será que as roupas não tinham cores ou eu me lembro disso porque vejo as fotos antigas em preto e branco?). Esse homem do passado vivia em casas com bom espaço de quintal onde criava animais e onde ficava a bancada de ferramentas que servia para fazer os reparos do telhado, das calhas, dos sofás que perdiam uma ou duas pernas e eram amparados por listas telefônicas, ou ainda usar as lixas para desenferrujar as cadeiras e mesas da cozinha que enferrujavam depois da primeira semana após terem chegado das lojas Arapuã. O homem antigo esperava pelo aquecimento das válvulas do aparelho de televisão, esperava que a imagem fosse se formando e aumentando até atingir as bordas das velhas Telefunken. Subia em telhados para arrumar a antena da televisão. Aos gritos das mulheres dizendo “mais prá lá ou mais pra cá” o homem primitivo “trepava” nos telhados para arrumar a antena espinha de peixe e depois sentava ao sofá para ver, babando (mais de sono do que de desejo, diga-se de passagem) as belas Chacretes nas tardes de sábado. Agora estamos numa nova era. Já passamos por diversas delas, tivemos o homem Paliolítico, o Mesolítico e o Neolítico. O homem de hoje não espera mais nem um minuto por nada. Quer tudo imediatamente. É informação imediata, resposta imediata, lucro imediato, decisões imediatas. O que demorava horas para ser feito, agora demora minutos e o homem de hoje não tem paciência de esperar. A comida fica pronta em minutos no microondas. A água fervente faz o macarrão no copo ficar pronto imediatamente. A comida pedida pelo aplicativo tem que chegar em minutos, quente e fresquinha. Ao sentar-se à mesa o garçom deve estar ao seu lado atendendo ao pedido. E a comida tem que vir no minuto seguinte. A televisão é ligada e a imagem aparece instantaneamente. O clique no site da Internet tem que responder em segundos. Tudo agora é imediato. Com isso, a pressa de quem pede contamina a calma de quem é cobrado. A população fica ansiosa, em estado de ansiedade. Olhos arregalados, esbugalhados pelo acompanhamento do videogame de ultima geração. A população atual está ansiosa por novos recursos nos celulares, novas formas de assistir filmes em 3D, novas maneiras de aprender a falar línguas em semanas. A ansiedade cresce, remédios são criados para combater as doenças na ânsia de buscar saúde imediata e rapidamente. Fazer exercícios deixou de ser suficiente, o auxílio de produtos energéticos acelera o crescimento dos músculos visíveis e diminui os outros que estão escondidos dentro da cueca. Estamos entrando agora na era do homem Ansiolítico. Não é não? Tava pensando aqui...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Tavapensandoaqui na evolução do CPD para empresa de Soluções de TI

Relembrando uma das cronicas do livro #tavapensandoaqui, sobre o profissional de TI e sua desvalorização no mercado de trabalho.


Tavapensandoaqui na evolução do CPD para empresa de Soluções de TI. Centro de Processamento de Dados – CPD - era o nome pomposo do local onde ficavam os computadores mainframe no século passado e todas as grandes empresas tinham orgulho de mostrar aos clientes, fornecedores e concorrentes. No CPD envidraçado para todos verem, trabalhavam profissionais bem remunerados para fazer as informações da empresa fluírem de forma correta dentro da empresa. Grandes computadores ocupavam salas refrigeradas, esterilizadas e com cabeamento subterrâneo para manter os caríssimos equipamentos. Um programador em inicio de carreira ganhava por mês 8 vezes o valor de uma mensalidade de Faculdade de Engenharia (eu próprio). De CPD a área passou a chamar Informática. Nesta época chegaram os PC, Personal Computers com seus vídeos cabeçudos, suas impressoras matriciais portáteis e seus abafadores de ruído enormes, verdadeiros trambolhos. De Informática a nomenclatura evoluiu para Soluções de TI – Tecnologia da Informação. E o telefone celular hoje tem mais capacidade de processamento que um CPD antigo. E o técnico em TI hoje ganha menos que o dobro de uma mensalidade de uma Faculdade de Engenharia. O que aconteceu entre o tempo do CPD e a atual fase de Soluções de TI? Aconteceu que as grandes empresas inventaram que deveriam trabalhar apenas no seu nicho de especialização e retiraram de dentro de si os profissionais que não tinham nada a ver com a sua atividade principal. Por exemplo, um Banco ou Fábrica não precisam de uma profissional que varre o chão, limpa os móveis e os banheiros. Terceirizou. Não precisa de alguém para fazer o cafezinho e o almoço do pessoal. Terceirizou. Não precisa de um segurança. Terceirizou. Não precisa de um especialista em eletricidade e ar-condicionado. Terceirizou. Não precisa de um profissional de TI. Terceirizou. O que aconteceu em comum com todas estas profissões? Uma faxineira de uma grande empresa ganhava melhor e tinha benefícios que a empresa dava. Perdeu tudo. Uma cozinheira e um garçom? Idem. Um segurança? Idem. Um mecânico e eletricista de manutenção? Idem. Um profissional de TI? Idem. E hoje o profissional de Tecnologia de Informação é considerado um prestador de serviço igual aos outros com a diferença que não usa uniforme. Ainda. Se bem que já vi os profissionais, acho que são da Harry Potter IT Solutions, pois entram no cliente portando a camisa azul escuro com as iniciais da empresa. Tava pensando aqui..

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Tavapensandoaqui que o impossível é só questão de opinião

Tavapensandoaqui que o impossível é só questão de opinião. Todos nós sabemos. Ou será que só os loucos sabem? Todo mundo tem um amigo louco. Se você não tem um, pare para pensar ou pense andando mesmo e veja se o louco é você. 
Todos nós devemos ter um sonho que desejamos realizar. Tudo que pensamos pode se tornar realidade, segundo consta em vários pensamentos filosóficos postados nas redes sociais e escritos em livros de auto-ajuda. Esse é o tal “Segredo” que um monte de fofoqueiros contou para todo mundo. Já aconteceu comigo. 
Quando eu era vice-troço de um sub-treco, década de 80, na minha gestão fizemos uma festa de fim de ano e compramos diversos mimos para distribuir no bingo beneficente em beneficio do próprio clube. Quando comprei o LP da minha roqueira preferida, olhei para ele e disse “é meu”. Tenho testemunha, embora não me lembre quem seja. Nessa época os artistas lançavam um LP por ano. 
Esses discos eram caros, não era todo mundo que tinha vitrola para tocar os discos e nem todos tinham poder aquisitivo para comprar um monte deles. Chegou no dia do bingo, a minha cartela daquele mimo foi a vencedora. Poder do pensamento. Um amigo tinha uma bicicleta com freio a tambor no pedal traseiro e começou a fazer macaquices pela pedreira que ficava na esquina da minha casa no bairro do Marapé em Santos. 
Falamos diversas vezes para ele não pular um determinado obstáculo e ele acreditou que era possível. Foi com tudo. Depois que saiu do hospital com fraturas em diversos lugares acabou se recuperando bem. Acho que era um cara de pouca fé. 
Quando você deseja muito alguma coisa com muita fé o Universo conspira para realizar seu desejo. O Universo atualmente está muito cheio de pedidos para ganhar na Mega Sena, melhor não insistir neste desejo. Para conseguir aquilo que você deseja você deve ter fé e merecimento. Se tiver dinheiro talvez o pedido seja mais fácil de realizar. Mas se esse não é seu caso, muito trabalho será necessário para o sonho ser alcançado. 
Eu me formei recentemente como Coach e um amigo recente se interessou pelo assunto e me pediu uma explicação sobre o que se tratava. Eu lhe disse que se fosse explicar matematicamente, diria que é uma forma prática de chegar do ponto “A” ao ponto “B” de maneira rápida. Ele perguntou então se era igual ao Ubber. Eu lhe disse que não. Que era uma forma de tornar seu sonho realidade. 
Ele disse que tinha um sonho de ganhar um milhão de reais. Perguntei o que ele estava fazendo para realizar o sonho. Ele disse que não estava fazendo nada de especial, jogava na loteria de quando em vez. Disse-lhe que, caso ele não fizesse nada, não iria ter um milhão do dia para a noite. Perguntei-lhe o quanto ganhava ao mês. Peguei o valor que ele me passou e usei como divisor para o valor de um milhão. Ao ver o resultado em anos, ele decidiu que seu sonho agora era juntar uns vinte mil reais. 
Podemos também ajustar nossos sonhos, mas o impossível é mesmo questão de opinião. Que tal pensar sobre o assunto? Qual o seu sonho? Você está trabalhando para torná-lo realidade? Tava pensando aqui...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Tavapensandoaqui que estou cansado de tanta falcatrua

Tavapensandoaqui que estou cansado de tanta falcatrua. São tantas falsidades, tanta gritaria, mentiras e tanta sujeira escondida na manga que nem vou te falar. Em toda parte que se olhe é a mesma coisa. Sinais secretos são combinados e usados para se comunicar e trapacear. O jogo é desonesto e é feito com cartas marcadas. Acusações, berros, palavrões e murros sobre a mesa são trocados entre as diversas facções. Até tem vezes que se sobe literalmente na mesa! A mentira é a tônica de todas as jogadas. Acusações de ladrão são ouvidas por todos os cantos. Dedos são apontados contra os narizes alheios. Cara a cara os valores que cada um defende são confrontados. Cospe-se na cara alheia. Quebra-se a palavra a toda hora. Blefa-se o tempo todo. Cumplicidade tem nome de parceria. Para superar as dificuldades cada equipe joga por si própria e tenta tirar vantagem de qualquer situação. Não importa quantos serão prejudicados pelas mentiras, blasfêmias e pelo roubo descarado. E tudo isso vem acontecendo ano após ano. Parece que vai melhorar e cada vez piora. Se gasta muito tempo e dinheiro para manter as conquistas. Tudo isso cansa. Você se dedica e faz de tudo para ser correto e no fundo vê que não compensa. Tenta fazer o jogo conforme as regras, mas é impossível jogar esse jogo com honestidade. A regra do jogo é roubar, é berrar, é intimidar o adversário, é apresentar argumentos falsos e tirar vantagem dessa estratégia. É enviar sinais secretos para seu cúmplice, usar codinomes para esconder a verdadeira identidade, enganar, ludibriar. Tem até àqueles que se disfarçam de santos, mas no fundo tem a sua parcela de culpa e roubam tanto quanto todo mundo. Tudo isso me cansou demais. O jogo é sujo demais. Desonesto. A enganação supera qualquer ética. Esse ano foi a gota d’água. Já tomei minha decisão de desistir e sair em caráter irreversível disso aqui. Caráter irrevogável. Essa é a minha decisão: nunca mais participo do torneio de Truco. Ano que vem vou apenas me inscrever nos torneios de Buraco e Tranca. Tava pensando que eu estava falando do que? Eu heim! Se bem que me parece muito com a situação atual de certo país. Tava pensando aqui...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Tavapensandoaqui que Al Capone só foi preso por sonegar imposto de renda

Tavapensandoaqui que Al Capone só foi preso por sonegar imposto de renda. Todos sabiam que o cara mandava matar, corrompia todo mundo, comandava o tráfico de bebidas, de drogas, de empregadas, faxineiras, de bebês, tirava pirulito da boca de criança, jogava bituca de cigarro na rua, comandava a prostituição, tinha a polícia no bolso e o cara foi preso por sonegação de imposto. Ou seja, todos sabiam, mas faltavam provas. A falta de provas impedia a colocação de um verdadeiro crápula e facínora na prisão. Que tal procurar recibo falso de médico na declaração de certa pessoa, ao invés de ficar procurando picuinhas nas nossas declarações, heim dona Receita Federal? #ficaadica

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tavapensandoaqui sobre o amigo fantasma

Tavapensandoaqui sobre o amigo fantasma. Aquela pessoa que nunca escreve nada no grupo, não responde quando se faz a pergunta sobre reunir o pessoal, não curte nem comenta nada que os amigos produzem e nem acredita nas redes sociais. Só entrou porque todo mundo tem. Ela então resolve fazer anúncio vendendo, convidando ou oferecendo alguma coisa e quer que a gente responda. Passou na fila da noção nenhuma vez. Na fila da reciprocidade zero vez. A fila do "é dando que se recebe" também pulou. Não é indireta para ninguém, é só um pensamento que me veio por aqui. Ah, você é um desses? Uia, nem lembrava que você tinha rede social. Me chamou para curtir sua página? Fiz igual a você, fingi que não vi. Mentira minha. Eu prestigio todo mundo que me chama. Se eu não te prestigiasse eu seria igual a você e não sou. Mas pare para pensar sobre isso. Se conseguir pensar andando, melhor ainda. O ser humano tem necessidade de reconhecimento, de aceitação. O relacionamento é construído com reciprocidade. É bom bater um papo e trocar ideias com os amigos no bar, no churrasco, na pizzaria. Hoje isso é feito pelas redes sociais também. Quando você interage, conversa, comenta, participa, curte e faz parte das brincadeiras, você passa a ser lembrado. E quando você manda seu currículo, a gente até indica para nossos contatos dizendo que você é uma pessoa legal. Tava pensando aqui...

sábado, 8 de abril de 2017

Tavapensandoaqui em agradecer somente hoje

Tavapensandoaqui em agradecer somente hoje. Agradecer pelo sol que nos ilumina e ao ar que respiramos. Agradecer pelo mar que nos rodeia. Agradecer pelas nuvens que nos protegem do sol e nos trazem as bênçãos da chuva. Agradecer pela centelha de vida que habita o meu corpo a qual alguns chamam de alma. Agradecer pelo fato de viver. Agradecer por ter nascido, filho dos meus pais. Agradecer pelo dom da razão, da inteligência, do amor, da compaixão. Agradecer por enxergar, por ouvir, por falar e por sentir o aroma das flores. Agradecer pelos bens materiais que posso ter e manter. Agradecer por ter um trabalho que me proporciona conforto na minha vida e na vida de quem convive no mesmo teto que eu. Agradecer por criar uma família. Agradecer pela oportunidade de evoluir com os ensinamentos de tantos mestres que passaram pela minha vida. Agradecer pelos amigos que me rodeiam. Agradecer à saúde que tenho e a saúde que tem os meus parentes de familiares. Agradecer ao povo do meu país que trabalha duro e produz com todas as forças. Agradecer cada fio de cabelo que nasce no meu couro cabeludo. Agradecer aos cientistas e pesquisadores que se esforçam para nos trazer o progresso. Agradecer aos meteoros que acabam com a vida na terra de tempos em tempos e que neste momento não estão caindo na Terra. Agradecer aos extras terrestres que ainda não encontraram o nosso planeta. Agradecer as abelhas que produzem o mel que adoça nossa vida. Agradecer à formiga que deve fazer alguma coisa útil aqui na Terra além de encher meu açucareiro. Agradecer ao mosquito que está aqui me rodeando... Todos nós temos que ter nosso momento Pollyanna. A personagem via otimismo em tudo que a rodeava e sempre extraía algo de bom e positivo de todas as situações, mesmo as mais desagradáveis. A gratidão gera um clima de otimismo em torno de todos que nos rodeiam. Agradeça a uma ajuda, agradeça a uma crítica pertinente. Agradeça um abraço amigo ou um beijo sincero. Agradeça uma boa ideia que alguém pode lhe dar em uma conversa informal. Agradeça com o coração, pois esse agradecimento faz o outro se sentir importante pela contribuição que ele lhe proporcionou. O agradecimento faz sentir-se feliz. A felicidade não está nas conquistas materiais. A felicidade está nos presentes que a vida nos dá. O nascer e o pôr do sol, as estrelas, os pássaros, o sorriso dos amigos, a alegria de uma criança, o reconhecimento do seu bicho de estimação. Agradeça ao Ser Superior ou Entidade em quem você acredita e põe toda a sua fé, seja ele chamado de Deus ou de outro nome qualquer. Agradeça somente hoje com toda a força e determinação. Agradeça a todos estes presentes que a vida nos dá, pois o resto nós mesmos construímos com fé, força, determinação e autoconfiança. O sábio agradece às pessoas que acreditaram nele porque o ajudaram a se sentir abençoado, mas agradece também àqueles que o desqualificaram, pois foram eles que o ensinaram a ser um guerreiro. E você? O que você tem para agradecer somente hoje? E lembre-se, amanhã será um novo hoje. Experimente fazer o exercício do agradecimento diariamente. Mudará sua vida, mudará sua forma de enxergar o mundo, mudará sua onda mental. Depois me conte como isso mudou sua vida. Tava pensando aqui...

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Tavapensandoaqui na atualização do computador.

Tavapensandoaqui na atualização do computador. Depois de dois meses recebendo mensagem dizendo que o determinado software tem instalações importantes para realizar no meu novo computador branquinho e lindo, decido deixar a atualização ser atualizada. Tentando deixar de lado aquela ideia de que não vai dar certo, que vai travar o computador, que depois vai ter que reiniciar e na volta o computador não vai ligar e tudo o mais, aceito. Afinal paguei uma fortuna num curso que me incentiva a identificar e ressignificar minhas crenças limitantes. "Não vai dar certo" é algo que não se deve pensar porque o ser humano tudo pode com o poder de seus pensamentos. Esse é “O segredo”. Tão secreto que lançaram filmes, livros, vídeos, palestras, vivências e todos estão sabendo do segredo. Bando de fofoqueiros, isso sim. O Universo lhe devolve e conspira para realizar tudo aquilo que você imagina na sua mente. Meu avô acreditava fervorosamente que iria ganhar na loteria e nada aconteceu. Meu pai tinha fé no jogo do bicho e nada acontecia. Acho que naquela época o Universo não tinha antenas com tanta tecnologia para captar o pensamento de todo mundo que imaginava coisas legais como deve ter hoje. Seguindo na atualização do computador, meia hora depois de aceitar a instalação eu vejo uma mensagem escondida perguntando se permito. Penso "Porra, ainda tá aí? Tá esperando o que para começar? Aceito é claro, pois afinal, eu tenho alternativa de não aceitar e você parar de encher meu saco?". O software de instalação infelizmente não entende a indignação dos meus pensamentos e age como um ser humano puro e angelical no qual todos nós queremos um dia nos transformar comprando cursos caros vendidos por um monte de gurus das mais diversas escolas transcendentais. Mas o xingamento mental vale para desabafar o dia estressante de um ser humano normal que não transcendeu e nem chegou ao estado de pureza da alma. Se assim fosse, eu seria luz. Como tenho que pagar muito pecado por aqui neste planeta, eu estou por aqui vivinho e vivendo. Enfim, depois de continuar trabalhando no computador, novamente olho uma mensagem escondida "Falha ao fazer o download dos arquivos necessários". Legal, muito dez. Outro computador cor de rosa que tenho, herança das vontades da filha que escolheu a cor, mas que "ressignifiquei" em parte para a cor azul, para trabalhar com ele pois é bom, tem 189 atualizações do Windows 7 pendentes para fazer sendo que 123 delas são importantes e as restantes nem tanto, porém ele acha que deve fazer assim mesmo. Se não é importante, para que quer fazer? Vai só trocar a cor de um botão? Vai trocar a setinha pela mãozinha? E não adiantou eu aceitar as atualizações nem deixar o computador ligado o dia todo que não instala um único item e fica travado enquanto instala. Procurei especialista, sim, muito especialista. O diagnóstico foi que tem que formatar o HD. Eles não sabem nada, dizem sempre que o HD está corrompido. Corrompido é nosso sistema político, isso sim. Eles formatam o HD e dizem que resolveram o problema. E não resolvem. Haja ressignificação para esse povo. Preciso meditar. Atingir o nirvana. Ah, mas se eu pego esse tal de nirvana um dia eu atinjo ele no meio dos zóios! Ommmmm.... Tava pensando aqui...
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segunda-feira, 13 de março de 2017

Tavapensandoaqui na saudade dos tempos da bola na rua

Tavapensandoaqui na saudade dos tempos da bola na rua. Tempos onde o Negão era nosso amigo de rua, o Balofo ou Rolha de Poço era um sujeito engraçado que todos gostavam de zoar e do Cabeção que era gente fina. Do Baiano que não era do nordeste, muito menos da Bahia e mesmo assim era chamado de Baiano, do Mano, do Espinho, do Cerveja e do Pituca que tinham nomes de batismo muito bonitos, mas era pelos apelidos que eram conhecidos pelos colegas do bairro. Das peladas na rua que parava a cada automóvel que passava. Da vizinha que não devolvia a bola. Dos dedos sem tampa ou sem unhas de tanto chutar paralelepípedo ao invés da bola. Saudades da violeta genciana que deixava as pernas toda colorida ao final de cada partida de futebol. Saudades do mertiolate que ardia ao ser colocado nos esfolados dos joelhos e mesmo com a pessoa assoprando ardia mais ainda. Já dizia minha falecida sogra “O que arde cura, o que aperta segura!”. Saudade de jogar na chuva, de escorregar correndo atrás da bola, de tomar bolada no rosto com a bola Dente de Leite. De colocar o pior jogador da rua para catar no gol. De quebrar o lustre da garagem do prédio com a bolada certeira no ângulo do gol formado pelos pilares. De chegar a casa chorando com a boca sangrando pela briga de rua e ser repreendido pelo pai de que se voltar para casa chorando de novo apanhava dele também. De comprar o ki-chute para jogar nas quadras de cimento. De ter o tênis bamba branco novinho pisado por todos os colegas do colégio. De andar de chinelos “havaianas” sem grife, daqueles que não tinham cheiro nem soltavam as tiras. A moda era virar a sola para cima e ter uma havaiana na cor preta ou azul. Aliás, me intriga o fato das havaianas não soltarem as tiras e mesmo assim a gente conseguia colocar a sola para cima e a parte que se pisava virada para o chão. Saudades de andar de bicicleta e deixar as marcas dos pneus pela calçada. Dos carrinhos de rolimã dos quais eu nunca achei graça, visto que morei em Santos e não tem ladeira na cidade. Tínhamos de andar nos carrinhos com outros empurrando para ganhar velocidade e eu achava menos graça ainda quando era eu quem tinha que empurrá-los. Saudades de nos dias de chuva montar o tabuleiro do futebol de botão e participar dos campeonatos com os colegas da rua. Cada um trazia seu time do coração com goleiros feitos de caixas de fósforo personalizadas com papel colorido e fita adesiva e botões feitos com as tampas dos relógios de pulso. Além dos campeonatos de botão, jogos de tabuleiros eram muito usados na época, jogos como War, Ludo, Dama, Xadrez, Detetive e Banco Imobiliário. Escutei outro dia uma comparação genial utilizando o exemplo de um desses jogos, onde a palestrante disse que ser famoso nas redes sociais é tão relevante quanto ser rico no Banco Imobiliário, ou seja, não serve para coisa nenhuma. Para mim fez sentido. Hoje a nova geração tem outros valores. Os tempos são outros, eu sei. Tava pensando aqui...
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quarta-feira, 8 de março de 2017

Tavapensandoaqui na compra de veículos usados

Tavapensandoaqui na compra de veículos usados. Meus primeiros carros foram comprados com o dinheiro suado do meu trabalho, meus pais nunca quiseram ter um carro e nem poderiam tê-lo com a renda apertada que tínhamos. Juntei meus primeiros dinheiros e os valores de um carro zero quilometragem eram inalcançáveis para o meu poder aquisitivo, que nem me atrevo a chamar de poder, ficaria melhor se chamasse de fraqueza aquisitiva. Parodiando uma amiga e adaptando a frase, era o que tinha para ontem. Meu primeiro fusca 1962 comprado em 1979 tinha quatro velas, duas apagadas. Andava normalmente, mas começou a andar normalmente melhor quando acendi as quatro velas. Também fui proprietário de um Passat 1979 que soltava aquela fumaça branca pelo escapamento, igual a fumaça que sai do Vaticano na eleição do Papa. Não precisava trocar óleo, só precisava completar com três litros a cada mil quilômetros. Recentemente adquiri uma Scooter usada do ano de 2006. Modelo Neo, nome do personagem do filme preferido, Matrix. Eu precisava de uma moto, pois o deslocamento em São Paulo com hora marcada é simplesmente impossível se for feito de automóvel ou transporte público. Dois compromissos meus se acumularam em um mesmo dia da semana e a solução que achei foi essa. Achei-a num bairro quase na divisa de São Paulo com Cotia e a proprietária era cuidadosa com o veículo, nunca sofreu acidente com ele. Ao ligar o veículo para mostrar que tudo funcionava, a luz do painel que indicava a conversão à esquerda não acendeu. Sem problema, as luzes das laterais estavam normais. Comprei-a e logo ao encher o tanque, a tampa não conseguia conter toda a gasolina e tive que providenciar uma nova. Esperei duas semanas para receber a bendita tampa. Enquanto não chegava, andava com o tanque de combustível abaixo da capacidade média. A chave do contato trancava o guidão, agora não trava mais. Afundou alguma coisa e não fico mais com a moto travada. Ninguém vai querer roubar mesmo, então não me preocupo com isso. Sempre fui a favor de comprar veículos novos, para que esses pequenos detalhes não me aborrecessem. Eu só consegui comprar carro zero após uns 12 anos trabalhando. A partir daí, veículos zerinho ornaram minha garagem. A compra de usados sempre causa surpresa. As rodas novinhas encobrem o problema de alinhamento, que é descoberto quando os pneus começam a desgastar nas laterais. A pintura novinha encobre batida não informada quando compramos o veículo. A parte elétrica pode sempre causar alguma surpresa. A bateria nova esconde o problema de fuga de corrente em algum canto não identificado do veiculo e de uma hora para a outra você fica na mão com pane elétrica. Aliás, tenho andado com minha Scooter pelas ruas de São Paulo e com minha boa pontaria acerto vários buracos. Já fiz Motocross e isso me dá certa habilidade em manter o equilíbrio nessas situações. E a luz interna do painel que indica a conversão à esquerda agora está funcionando. Vai entender. Quem sabe um próximo buraco acerta o problema da trava do guidão? Tava pensando aqui...

quarta-feira, 1 de março de 2017

Tavapensandoaqui nas coisas que fazem isso e aquilo

Tavapensandoaqui nas coisas que fazem isso e aquilo. Já reparou quantos produtos são anunciados que fazem isso e aquilo também? Esse assunto me chamou a atenção quando vi um produto que prometia lavar os meus cabelos “E” o meu corpo. Isso mesmo, shampoo e sabonete na mesma embalagem. Eu sou virginiano, sou prático e me vi diante de um sabonete-shampoo ou shampoo-sabonete. Eu conhecia shampoo “E” condicionador que facilita a vida dos homens que tem cabelos. Mulher prefere comprar separado. Tem shampoo que combate a caspa. Outro que não arde nos olhos. Fiquei confuso. Posso usar o shampoo-sabonete e depois o shampoo-condicionador? O cabelo vai passar duas vezes pelo shampoo. Ele vai dizer “Opa, já estou limpo, shampoo de novo?”. O produto que faz muitas coisas ao mesmo tempo é melhor que aquele que faz somente uma única coisa? Acho que as mulheres, durante o banho, preferem passar o sabonete que deixa sua pela limpa “E” perfumada, shampoo que limpa “E” mantém a cor dos cabelos pintados e depois passar o condicionador que amacia “E” dá brilho aos cabelos. E depois do banho elas passam um creme que hidrata a pele “E” causa uma sensação de frescor. Depois a mulher passa um creme nos pés que promete hidratar “E” retirar as células mortas deixando os pés suaves “E” delicados. Todo produto que faz uma coisa promete também fazer mais alguma coisa por você. Repare nas propagandas. Os publicitários adoram achar muitas qualidades nos produtos que anunciam. O creme dental combate as cáries “E” elimina as placas bacterianas. Outro deixa seu hálito refrescante “E” protege por 12 horas. Pergunto-me: quem fica sem comer por 12 horas? O desodorante protege contra a transpiração “E” protege por 48 horas. Pergunto-me novamente: para que serve proteção no sovaco por 48 horas? A pessoa não toma banho não? O protetor solar protege por até 5 horas “E” não sai na água. As lentes “lux alguma coisa”, escurecem quando estão ao sol “E” clareiam na escuridão. Sua visão fica clara “E” cristalina. O absorvente protege confortavelmente “E” deixa você usar calça branca. O amaciante de roupas deixa sua roupa macia “E” cheirosa. O sabão em pó remove as manchas “E” perfuma sua roupa. E então o que você acha melhor? Comprar alguma coisa que só atua de um jeito ou que além de fazer o que deve ser feito ainda faz mais por você? Lembro-me da história do pato, que faz várias coisas... tava pensando aqui...
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Tavapensandoaqui no carnaval

Tavapensandoaqui no carnaval. Estive em Santos uma semana antes desse carnaval de 2017 e eles já fizeram todos os desfiles. Pasmem. A prefeitura antecipou o carnaval, dizendo que assim o folião Santista pode ir pular no Rio de Janeiro. Vai entender. Em minha opinião, todos gostam de carnaval no Brasil. Discorda? Tem certeza? Quem diz que não gosta de carnaval aproveita o feriado prolongado para se retirar, ir para hotéis fazenda, cidades mais afastadas do interior, fazer caminhadas, fazer uns roteiros espirituais, roteiros gastronômicos, colocar a leitura de livros em dia, estudar para alguma coisa, ir para o Chile, Argentina ou Miami. Vai me dizer que a maioria não faz isso? Fazem sim. Nosso feriado de carnaval é conhecido mundialmente. Todo brasileiro gosta de carnaval, quer seja curtindo o próprio carnaval com seus trios elétricos, blocos de rua e escolas de samba ou aproveitando o feriado de outra maneira. E não me venham com esta conversa mole de que o Brasil tem muito feriado. Melhor pesquisar um pouco antes de afirmar isso. Já pensaram em quanto o carnaval é importante para o Brasil? O carnaval brasileiro movimenta a economia do país e o mercado de trabalho. As Escolas de Samba de todo o Brasil empregam milhares de pessoas. Carnaval de rua também. Vi várias pessoas desempregadas e com capacitação para exercer funções em empresas indo trabalhar nas ruas onde estavam os blocos de carnaval. Quem quer trabalhar sempre encontra um jeito. Quando acaba um desfile de carnaval os trabalhos para o ano seguinte já são planejados. Engenheiros, Arquitetos, Médicos e Artistas trabalham para as Escolas de Samba. Advogados também trabalham nos carnavais, principalmente nos contratos para que tudo funcione. Os músicos trabalham e se movimentam para compor o samba enredo das escolas que vão se apresentar com as suas baterias nos diversos sambódromos do país. Costureiras tecem milhares de fantasias. Artistas fazem verdadeiras esculturas e obras de arte para serem vistas nas avenidas. O que dizer então dos milhares de pessoas das comunidades que trabalham durante o ano inteiro para colocar sua escola na avenida? O orgulho destas pessoas não tem preço. Centenas de jornalistas são incumbidas de fazer as matérias e garantem seus empregos em função desta festa maravilhosa. O turismo é beneficiado no país inteiro devido ao feriado de carnaval, quer seja trazendo as pessoas para curtir a festa, quer seja levando as pessoas que não gostam da festa para os destinos alternativos desta época do ano. Os comerciantes que vivem desta festa sorriem de orelha a orelha vendendo fantasias, chapéus, plumas, máscaras, tecidos, bijuterias, maquiagem, cerveja e tudo o mais que representa o nosso carnaval. Por isso eu acho que todo brasileiro gosta de carnaval. Tava pensando aqui...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Tavapensandoaqui na minha primeira trilha de Bike

Tavapensandoaqui na minha primeira trilha de Bike. Trabalhava com amigos que curtiam esportes de uma forma geral. Essa turminha programava passeio de bike toda semana. Viviam me convidando uma vez que eu pratico esporte regularmente e eu vivia recusando polidamente, porque eu sei que o exercício de pedalar exige uma musculatura da perna diferente da usada nos esportes que eu praticava (futebol, tênis e squash na época). Eu pratiquei MotoCross num passado distante, portanto não era por causa de falta de equilíbrio nem de receio de enfrentar trilhas que eu recusava os amáveis convites. Um dia me convidaram para pedalar e várias desculpas depois eu disse que não tinha bicicleta adequada e imediatamente me arranjaram quem me emprestasse. Fui buscar a bike na casa do amigo e coloquei na revisão para deixá-la zerinho. Comprei material básico adequado, aquela bermuda fofa na região bundal-sacal, capacete, luvas. Joelheira e cotoveleira eu tinha, eram da época que eu jogava vôlei. A trilha de bike seria no Japiapé, cuja piada está pronta, pois íamos andar de bike, aonde o Japi vai a pé. Preparação teórica foi feita, me mostraram o mapa da trilha. Parecia um eletrocardiograma, era um gráfico com picos e vales. Olhei aquilo e vi que no começo fazia um pico pequeno e depois um pico maior, um verdadeiro picão. Perguntei curioso em como ler corretamente aquele mapa e me disseram que era o relevo do terreno. Franzi a testa, torci a boca e olhei desconfiado para aquilo. Não havia tempo para eu fazer academia e me preparar adequadamente e então partimos para a serra do Japiapé. Encontro programado para as seis horas da manhã no supermercado no começo da estrada. Esperamos um dos participantes por uma hora e às sete horas estávamos na estrada para encontrar o outro colega. Encontros e desencontros depois, chegamos quase às 9 horas no local. Arrumamos todo o equipamento e partimos pelo primeiro trecho asfaltado da estrada para depois encontrar a estrada de terra. Vi os primeiros ciclistas sair pela estrada e fui um dos últimos. Logo na curva três, dois simpáticos cachorros resolveram perseguir as bikes e eu me perguntei por que eles escolheram as bikes finais e não ao que iam à frente. Livrando-me dos fofos cãezinhos, na curva oito metade do grupo seguiu e a outra metade parou para arrumar alguma coisa na bike de alguém. Falaram para avisar os apressados para esperarem e eu resolvi alcançá-los. Assim que parti olhei para traz para conferir os que ficaram e quase me espatifei na valeta lateral que acompanha a estrada. Recomposto do susto alcancei os apressadinhos que pararam para aguardar os retardatários. Já na estrada de terra, várias subidinhas e descidinhas me estimularam. Subia forçando os músculos das pernas e chegando ao topo era só alegria para descer em desabalada carreira. Ledo engano. Na descida, pedras estavam no caminho, obrigando a diminuição da velocidade. Comecei a perder a paciência, pois a graça de subir com suor e descer com alegria não rolavam. Além do mais, diversas subidinhas eu fiz a pé, empurrando a bike, pois não tinha força suficiente para pedalar. Chegou a primeira subida íngreme e parei. Lembrei que era o pico do gráfico que haviam me mostrado. Amigos me ajudaram. Eu via a ladeira acima e não via o final dela. Eles começaram a me incentivar, eu a pé, outro amigo puxando a bike. Nessa hora pedi para parar que eu ia voltar. Insistiram. Amigos de verdade não desistem de você. Quase aceitei, mas tenho memória boa. Lembrei-me do gráfico em formato de eletrocardiograma e pensei que estava começando a escalar o pico. Daí eu pensei “ah não, não vou continuar porque depois desta subida que era o primeiro pico do gráfico, vai vir o picão. Tô fora!” disse aos amigos. Dá-me a bike aqui que vou retornar. Insistiram e eu perguntei quantos quilômetros havíamos percorrido. Disseram-me que eram quatro quilômetros. O passeio era de vinte e oito quilômetros. Voltei com absoluta certeza que fiz a escolha certa. Eu, heim? Picão não é para mim. Tava pensando aqui...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Tavapensandoaqui que a velhice acalma a alma

Recordando uma crônica de setembro de 2015, quando ainda não tinha publicado meu livro.
Tavapensandoaqui que a velhice acalma a alma. Enquanto somos jovens nós somos impacientes e impulsivos. Quando a idade vai avançando nos tornamos mais tolerantes e conseguimos ver as coisas acontecendo sem maiores preocupações.
Um cliente que eu atendi já faz algum tempo estava na melhor idade e escreveu um livro. Vi o livro sobre a mesa de trabalho dele e ele estava feliz pelo lançamento. Ele já tinha filhos e tinha um sítio onde passava os finais de semana.
Deduzi pela minha lógica de programador de computadores que se ele tinha um sítio ele também tinha plantado uma árvore e desta forma o trio de coisas para se realizar na vida estava completo para ele. Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro são as realizações que temos que fazer nesta vida. Acho que não necessariamente nesta ordem. E não sei quem inventou isso.
Pensei comigo que se aquele pé de feijão que plantamos no algodão dentro do copinho de plástico quando a gente está na escola valer como “árvore” eu estou quase pronto faltando só escrever um livro. Pé de feijão vira uma baita árvore. Pelo menos foi isso que aprendi lendo a fábula.
Continuando a lógica, se essas crônicas que estou escrevendo valerem como “livro” então fechou o meu ciclo. Nessa época que conversei com esse cliente que escreveu o livro eu era o jovem impaciente e impulsivo.
Ele era um sábio senhor e me deu um exemplo de como ele se comportava frente à vida. Deu-me o exemplo de uma viagem que fez com o seu filho dirigindo.
Disse que antes ele tomava as rédeas da viagem e queria saber tudo. Ele me disse que havia mudado e agora fazia questão de sentar no banco traseiro e apenas olhar a paisagem.
Aonde vai o carro, como vai, por aonde vai, quando vai chegar, se tem combustível suficiente, se o pneu tá vazio, onde parar para abastecer, comer, era preocupações que ele não tinha mais. Ele sentava-se e admirava a estrada e via o tempo passar calmamente, sem preocupação.
Será que a vida da gente é para ser assim vivida desta forma? Será essa a mudança que vai nos trazer a sabedoria e vai nos trazer a tão sonhada felicidade?
Mas o tema deste pensamento é sobre a velhice. Entendo que sou ainda muito jovem. Preocupo-me ainda com os meus pneus, com o pedágio, com o combustível. Eu pego taxi e descrevo o trajeto para o taxista fazer. No geral muita coisa ainda me incomoda.
Acho que não estou velho não. Eu continuo impaciente. Mas agora me lembrei de que existem velhos ranzinzas que reclamam de tudo. Será então que estou velho ranzinza? Tava pensando aqui...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui no velório de um amigo

Tavapensandoaqui no velório de um amigo. “Aqueles que estão livres de pensamentos rancorosos certamente encontram a paz”. Essa frase atribuída a Buda no facebook, onde li este pensamento, retrata o dia vivido hoje nesse velório do amigo. Ele fez parte de um grupo formado em 1977 com dez jovens comuns cursando os primeiros anos da faculdade. Todos foram contratados depois de uma seleção feita com mais de quatrocentos candidatos numa manhã de domingo de sol em Santos, para fazer estágio em um grande CPD, que para os antigos é uma sigla conhecida, Centro de Processamento de Dados. Para os jovens eu traduzo como a TI – Tecnologia da Informação. Esses dez jovens fizeram o estágio com muita bagunça e também com muita competência. A amizade que ficou depois de uns nove meses de estágio, mais ou menos, é quase eterna, pois não perdemos o contato em nenhum momento. Estamos conectados até hoje. Este ano comemoraremos quarenta anos de união, que será celebrada em breve, sem a presença iluminada deste amigo que se foi. Sempre que conseguimos fazer um encontro como no dia de hoje no velório dele, nós criamos uma energia forte e desconhecida, conversamos como se o ultimo assunto tivesse sido conversado no dia anterior. Todos criaram famílias e as famílias se conectaram ao grupo. Eu não sei muito bem o que nos une, mas acredito que seja o amor. Amor à história de vida que tivemos dentro de uma sala por quase nove meses, dividindo angústias, dividindo alegrias, dividindo incertezas, compartilhando segredos. Essa união forte gerou dois casamentos entre membros desta turma. Um dos amigos que mais eram zoados era esse amigo que hoje se foi. Ele era chegado numa balada e quando chegava ao serviço ele invariavelmente pegava no sono em algum momento das aulas que eram dadas para ensinar programação de computadores. A fala dele sempre foi mansa, sempre foi pausada. Tranquilo, calmo, inteligente, foi um bom pai e bom homem. Coração enorme. Um ser que não negava ajudar ninguém. Mesmo depois das armadilhas e chacotas que fazíamos com ele, sempre havia a risada conjunta depois da zoeira. A capacidade de rir de si mesmo é uma das características das pessoas acima da média. Nunca deve ter guardado rancor de ninguém. A morte não é um final. É um início de um novo ciclo. Ele se foi no momento certo. No momento que foi definido para ele. “Com ele, uma parte de mim se foi”. A frase é de uma das pessoas do grupo. Também sinto assim. Brilhe no céu, Arthur. Tava pensando aqui...

domingo, 22 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui no reality show

Tavapensandoaqui no reality show. Todo início de ano começa o reality show mais visto e odiado na TV aberta do Brasil. Tem gente chata que perde seu tempo reclamando (e postando nas redes sociais) dizendo que quem assiste tem QI baixo, sendo que quem assiste não deve entender o significado de QI. Não se ofenda com a brincadeira, é só para fazer piada, assisto sempre que a TV da empregada está sintonizada no canal e pergunto quem foi eliminado, sem nem saber se é homem ou mulher, se tem barba ou é careca. Veja quantos deslizes no politicamente correto eu cometi até agora. Chamei de chato a quem reclama, de burro a quem assiste, citei “empregada” que agora é secretária do lar e terminei chamando alguém capilarmente prejudicado, de careca. O “politicamente correto” é que é uma verdadeira chatice. Mesmo sem assistir ao reality show eu sempre estou por dentro, basta ficar de olho nas chamadas feitas nos intervalos comerciais ou nas capas das revistas nas bancas (e claro, pesquisar na internet). Muitos se deram bem ao sair do programa, bons artistas também foram revelados. Acho uma pretensão de quem reclama do conteúdo desse reality show, achar que vai postar sua opinião sobre o programa e que alguém vai se importar com isso, ou seja, tanto faz se é contra ou a favor, a opinião de quem reclama não vai mudar a opinião de ninguém. Com tantas opções de assistir o que gosta, para que reclamar do que o outro está assistindo? Nesse caso, não seria o próprio reclamante a pessoa que está querendo cuidar da vida alheia, dizendo o que ela deve assistir ou não assistir? Veja o lado bom da coisa: enquanto a pessoa que gosta do programa assiste e comenta da vida dos participantes, ela deixa a vida dos outros em paz e não vai comentar nada sobre você que reclamou. Tantas opções mais cultas têm na TV aberta, mude de canal e encontre concertos musicais, filmes velhos que podemos chamar de clássicos para não ofender o politicamente correto, tem novelas de época, telejornais, programas de variedades, programas vendendo jóia o dia inteiro, tem programas religiosos em vários canais, programa esportivos repetindo o mesmo gol milhares de vezes enquanto o comentarista discute se a bola pegou na mão ou foi a mão que pegou na bola. Veja quantas opções o reclamante tem, somente citando a TV aberta. Se for para a TV paga então, ele pode aprender que as enzimas se reproduzem ficando uma “enzima” da outra. Pode obter informações sobre seres extraterrestres visitando nosso planeta. Pode assistir curta metragem, programas sobre pescarias, aprender culinária, desde fazer bolos ou cozinhar um gafanhoto, em vinte canais pelo menos. Ver séries policiais incríveis, comédias, drama, aventura, infantis, música, desfiles, lugares maravilhosos para viajar, biografias de gente famosa. Se migrarmos para o que a internet disponibiliza, não teremos mais restrição nenhuma de tema nem de hora para assistir a qualquer coisa. Diante de tudo isso, para que perder tempo reclamando e querendo meter o bedelho na vida de quem gosta de assistir ao reality show? Quer cuidar da vida alheia, adote um gato que só aí tem 7 vidas para serem cuidadas. Não é não? Ô chatice. Quem será que vai ganhar esse ano? Tava pensando aqui...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui sobre sapatos

Tavapensandoaqui sobre sapatos. Um dia desses uma amiga me perguntou se eu já havia escrito sobre eles. O que eu vejo de interessante nos sapatos é que eles causam desejo e admiração. Nos homens causam um tipo de desejo e nas mulheres outro. Ao falar sobre sapatos o assunto pode logo ir para o lado do fetiche. Um homem gosta de ver mulheres bem vestidas e bem calçadas, pois essa admiração o leva a pensar em tirar toda a roupa dela, inclusive os sapatos. É contraditório esse sentimento masculino, uma vez que o homem adora ver uma mulher vestida e pensa em tirar tudo dela logo em seguida. Mas essa avaliação eu deixo para os psicólogos que sabem decifrar as entranhas dos pensamentos humanos, o que não se trata da minha especialidade. O que eu observei de interessante é que entre as mulheres as conversas sobre sapatos são seguidas de experimentações. Já presenciei muitas vezes uma amiga tirar o sapato que estava usando para a outra experimentar. Eu nunca vi um amigo tirar o sapato para o outro amigo experimentar. Nem entre os amigos do futebol. Nunca vi um amigo tirando a chuteira para o outro amigo ver se era legal dar uns chutes com ela. Quando um amigo traz a nova chuteira dourada usada por um jogador famoso, os outros reparam e o assunto apenas é comentado no sentido de saber onde comprou e se é confortável para jogar. E na semana seguinte nenhum amigo vai comprar uma chuteira dourada para jogar. O homem usa o sapato ou a chuteira até terminar. Homem detesta ficar tirando e colocando sapatos para experimentar. No século passado a realeza usava saltos, como é o caso do salto Luiz XV, que não era usado pela Luiza e sim pelo Luiz. Hoje em dia o salto é apenas para as mulheres. Na loja de sapatos é muito engraçado ver a contradição entre uma mulher escolhendo sapatos e um homem. Enquanto o homem tem pouca variedade de escolha e muitas vezes a mulher dele é que acaba escolhendo, as mulheres precisam escolher entre milhares de combinações. Eu entro em uma loja e peço para experimentar aquele ali que vi na vitrine, apontando para o dito cujo. O vendedor desce com 8 caixas e eu nem deixo abrir, pergunto logo qual a caixa que tem o modelo e cor que escolhi. Se ele insistir nos modelos que seriam variações, ameaço ir embora. Essa atitude faz o atendente recuar e entender quem está no comando. Não perco tempo. A relação entre sapato e mulher independe se ela tem pés bonitos ou não. Nunca vi mulher ter vergonha dos pés, vejo-as tirando o sapato no restaurante, no escritório, no parque e não tem censura nenhuma. Ver o homem fazer isso é mais difícil. A mulher consegue ter joanetes e usar sandálias, ter calos e usar chinelos, ter os dedos tortos ou as unhas esfareladas e não se intimidar em calçar um sapato que deixam os pés à mostra. Tem mulher que não abandona salto nem para ir à praia. A mulher tem facilidade em tirar fotos onde seus pés estão em evidencia, já o homem não faz isso. Andar bem calçado é uma prova de elegância, tanto para homens ou mulheres, pois o sapato completa o visual. Há mulheres que reparam nos sapatos masculinos e tem admiração se o calçado tem boa qualidade e se o homem teve bom gosto ao escolher seu sapato. Uma vez uma amiga me disse que ela deixa os sapatos na porta, pois não quer levar para dentro as impurezas da rua. Muita gente faz isso. Imaginei que ela ficava com a sola dos pés sujas, o que não me agrada muito. E ela tinha um cachorro que ia passear na rua e voltava para a casa sem deixar as patinhas na porta quando voltava do passeio. Sei lá, cada um com sua mania. Tava pensando aqui...

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui na internet das coisas

Tavapensandoaqui na internet das coisas. Será a próxima onda. É simples e fácil explicar. Você está no seu carro escutando uma musica e você fala com a sua casa, dizendo que está chegando e que quer abrir a porta da garagem. Desce do carro e sua aproximação da porta dianteira é percebida pela câmera de segurança que reconhece seu rosto da mesma maneira que o Facebook reconhece seus amigos quando você posta fotos da balada. Dentro da casa as luzes acenderiam por onde você passasse e as portas abririam e fechariam sozinhas de acordo com seu deslocamento. A privada automaticamente abriria e fecharia a tampa (evitando broncas da esposa), o assento aqueceria para que você fizesse com absoluto conforto os números um ou dois ou o “combo”, que são os dois juntos. Aliás, você consegue fazer o número dois sem fazer o um? Deixa prá lá. A descarga automática e o perfume floral ao final terminariam o serviço. Seria interessante imaginar como seria comigo. Minha versão começa na hora de deitar e eu falaria “quero dormir com temperatura ambiente agradável, me acorde às sete da manhã com a música de relaxamento. Quinze minutos depois (afinal eu passo pelo WC) quero meu café expresso, minhas torradas e ao mesmo tempo ligue a televisão no jornal da manhã mantendo o volume baixo”. Em seguida diria “quero saber como estará o tempo e quero sugestão de roupa para ir trabalhar”. Que legal, gostei da experiência. Se eu falasse tudo isso para a minha mulher ela não ia fazer nem metade. Continuei na minha fantasia cibernética me encantando com a possibilidade desta nova tecnologia que vai integrar todos os aparelhos eletrônicos da casa através da internet daqui a alguns anos, desde que a internet não seja intermitente e tenha a velocidade do primeiro mundo e não a velocidade que temos aqui. Imaginando mais um pouco eu diria “pelas oito da manhã diga-me as condições de transito, ligue o carro e o rádio, trace um curso para me levar ao trabalho”. Senti-me na ponte de comando da Nave Estelar do meu seriado preferido onde um alienígena com orelhas pontudas era o personagem favorito. Maravilhoso é sonhar, uma vez que na vida real a gente não consegue fazer a nossa impressora imprimir e nem conseguimos configurar o repetidor de sinal do wi-fi na nossa casa. Ainda assim nesse futuro próximo, as coisas poderiam dar errado, porque o ser humano continua a ser uma peça destoante deste planejamento todo. Como eu sempre digo, não subestime a capacidade do usuário. Pensei então que o despertador me acordaria no horário marcado, mas com a musica relaxante tocando eu dormiria de novo. Ao acordar me daria conta que perdi a hora, o café e torrada estariam frios, não veria nenhuma das informações do tempo que pedi. Vestiria-me de qualquer jeito passando frio ou calor e correria até o carro que estaria desligado sem combustível, bateria arreada pelo radio que teria ficado ligado. Pensando dessa forma, a conclusão que chego é que ainda teremos alguns anos pela frente até que as coisas funcionem. Você também vai ter que ser a prova de falhas, pois fazendo as coisas erradas o resultado sempre será diferente do resultado esperado. Será que algum dia nós teremos esta experiência? Tava pensando aqui...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui que não tenho superstição

Tavapensandoaqui que não tenho superstição. Quer dizer, quase. Por exemplo, se um velhinho de chapéu passa ao lado do meu carro dirigindo o primeiro carro que ele comprou na vida eu me afasto mais do que quando vejo um gato afro-descendente. Não passo por debaixo de escadas por um motivo muito simples: alguém está lá em cima da escada e alguma coisa poderá cair na minha cabeça. É uma questão de segurança. Existem coisas que se atraem como os pólos opostos de um imã. A manteiga do pão é atraída pelo chão. A camisa branca atrai o molho de tomate do macarrão à bolonhesa. O nosso dedinho do pé é atraído pela quina da cama ou da mesa da sala. Lavar o carro atrai chuva. Minha cabeça atrai portas de armários abertas e pratos. Uma vez eu disputava uma guerra com minha irmã, os dois entrincheirados nos lados opostos do sofá da sala, protegidos pelos braços do dito cujo. Minha mãe e tias faziam saquinhos daqueles que a gente joga pra cima e pega o que ficou no chão, jogo esse que não lembro o nome. Eu só sei que a gente tinha uma quantidade razoável de munição das mais variadas cores, quer dizer saquinhos, e usávamos de uma forma bem mais criativa do que o joguinho aqui citado. Saquinhos voavam pelo ar atravessando o espaço que separava as duas trincheiras e tentavam atingir o inimigo, ou seja, o irmão ou irmã. Várias batalhas foram travadas inclusive com participação de primos e vizinhos, com vencedores e perdedores, até que um maldito saquinho atingiu um prato na parede (lembram daqueles pratos pintados que eram pendurados nas paredes das casas dos nossos pais? Cafonas para burro e que faziam parte da cultura da época. Perdiam para as andorinhas azuis de tamanhos diferentes que também decoravam paredes e era mais horrorosa ainda, quem lembra? Bom, vamos continuar a história). O saquinho atingiu o alvo e fez o inocente prato atingir minha cabeça. Choro e hospital seguiram a história, precedidas de algumas palmadas nos dois exércitos. Por outra feita a minha mãe resolveu pegar um prato na prateleira da cozinha (olha, acabo de descobrir porque se chama prateleira, é porque armazena pratos!) no momento em que almoçávamos, sendo que eu estava exatamente embaixo deste local e o dito prato resolveu fugir das mãos da minha mãe para atingir minha testa. Para mim o prato me atacou de forma planejada, ele tinha algo para resolver comigo. Choro e hospital fizeram a continuidade da história, seguida de uma cicatriz que mantenho com estima. Bato na madeira três vezes para não acontecer novamente e fujo de lugares onde alguém resolve passar por cima de mim para pegar alguma coisa, pois a atração será fatal. Entro com o pé direto no campo de futebol e pego um pouco do gramado do campo para fazer o sinal da cruz. Hoje com os campos sintéticos eu faço o sinal da cruz com aquelas borrachinhas preta mesmo, acho que Jesus não vai se importar com a modernização dos tempos. Faço isso sem nenhuma superstição, é que não quero parecer o cara diferente da turma. Voltando ao início onde eu disse que sou quase um “sem superstição” vou falar da minha única superstição, que é não comprar carro de uma determinada cor. Uma vez fui a uma cartomante, claro que não acredito, fui para conhecer como é, e ela me recebeu vestida com roupa colorida e um baita sapato vermelho de salto altíssimo. Na conversa inicial sentado frente a frente antes da consulta, ela me explicou que o sapato tem poder e que ela aponta o bico dele para a pessoa que ela conversa para mostrar o poder dela (eu me desviei algumas vezes da ponta do sapato durante a conversa, devo confessar). Fica a dica aqui para as amigas leitoras, aponte o sapato para seus oponentes. Entre diversas coisas que a mulher previu, acertou muito por sinal, ela me disse que a determinada cor não combinava comigo. E a partir desta data, passei a evitar comprar o carro com a cor que ela me disse. Essa é minha única superstição. Não tenho mais nenhuma. E você? Tem alguma? Pula sete ondas? Usa peças de roupa íntima colorida na virada do ano? Coloca folha de arruda na carteira? Usa pé de coelho? Manda barco para Iemanjá? Tem moedinha da sorte? Tava pensando aqui... 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Tavapensandoaqui em escrever sobre minhas amigas

Tavapensandoaqui em escrever sobre minhas amigas. É uma ideia antiga que eu tive muito antes de começar a escrever as crônicas. Enquanto eu fiquei pensando, descobri que outro escritor roubou minha ideia e escreveu exatamente o livro que eu queria escrever. Escreveu sobre as amigas dele, não sobre as minhas. É um jornalista, cronista e escritor experiente e que tem outros livros escritos. Chegou a dar entrevistas nesses programas que entrevistam as pessoas cara a cara (é claro que ele não ia dar entrevista em novela, dãããã). O que eu quis dizer é que ele tem prestígio suficiente para aparecer na televisão e divulgar sua obra, diferente de “euzinho aqui” que paga para fazer um livro e que ainda batalha para conseguir a divulgação pelos meios de comunicação. Voltando às amigas do outro escritor, que nem são tão interessantes assim como as minhas, ele conta histórias singelas e bem bobinhas, dizendo que uma delas carrega um vibrador nas viagens internacionais e que às vezes o bichinho dispara na frente dos agentes da alfândega. Outra costuma usar saltos altíssimos para ir até na praia. Tenho umas 18 amigas assim. Outra tem coleção de sapatos, coisa bem comum nas minhas amigas também. Outra descobriu que a bancada de cosméticos do marido era maior que a dela e hoje isso é muito natural, eu mesmo tenho muito mais cremes que a minha mulher. Que graça tem em contar histórias assim? Outra se apaixonou pelo colega de trabalho. Quer coisa mais banal que isso? Coisas assim. Um livro muito sem graça. Eu fiquei pensando que seria muito difícil escrever as histórias que tenho juntado com minhas amigas. Por diversas vezes eu troco informações com elas, confidências da vida pessoal, da vida familiar e do trabalho. Seria impossível fazer um livro contando as histórias porque não teria como esconder que a história é daquela pessoa. A cada história que eu contasse, teria que obter a aprovação da pessoa e tenho quase certeza que vários trechos das histórias seriam censurados. Seria a mesma coisa que escrever a biografia não autorizada de alguma celebridade e tomar um processo pela frente para retirar aquilo que foi escrito. Quando lancei meu livro escutei diversos comentários das pessoas que me prestigiaram, falando que tinham também intenção de lançar um livro. Os temas que me informaram eram variados, histórias infantis com ilustrações, livros de histórias que aconteciam na família engraçada, romance, histórias de ficção ou aventuras. Entre o ato de pensar e o ato de fazer existe um caminho muito longo. Não é fácil escrever sobre algum acontecimento engraçado ou uma gafe, sem deixar a pessoa que cometeu o ato sem jeito. Por mais que se esconda o autor da façanha, o fato em si deve ter acontecido em frente a testemunhas. Como falar do tio bêbado mijando no poste no caminho de casa sem que a tia se sinta ofendida? Como contar que vomitaram no seu carro no final de ano e que o cheiro continuou até o Natal seguinte, sem que a pessoa que cometeu o ato se sinta mal em ter cometido tal feito? Por isso que não dá mesmo para escrever sobre as minhas amigas, que pena. Mas acho que dá para contar aquela da que esqueceu o filho na churrascaria... sei lá. Tava pensando aqui...