terça-feira, 15 de agosto de 2017

Tavapensandoaqui que a leitora quer saber.

Relembrando a crônica do livro.

Tavapensandoaqui que a leitora quer saber.

Perguntas das leitoras e respostas do sábio guru

Alguns anos atrás eu trabalhava ao lado de um amigo e conversávamos sobre tudo. Bom papo sempre.
Numa época em que por coincidência nós dois estávamos fazendo exames de saúde daqueles para verificar uma dorzinha aqui e outra ali, falamos que a espera pelo atendimento era muito chata e falei para ele que eu costumava me divertir lendo as revistas de modas e fofocas.
Meu interesse era nas colunas de conselhos sentimentais. Ele achou engraçado e também começou a se distrair com as revistas. Dávamos boas risadas com os questionamentos das leitoras.
Nessa época as empresas utilizavam um aplicativo de comunicação interna. Era neste aplicativo que se trocavam pequenas mensagens entre os colaboradores. A maioria das vezes a comunicação era para discutir e resolver problemas relativos ao serviço. Hoje isso é comum nas empresas e o comunicador funciona igual ao Whatsapp.
Eu e o amigo conversávamos sobre trabalho por esse aplicativo interno e algumas vezes o utilizávamos para conversas mais amenas.
Algumas vezes ele me chamava dizendo “a leitora quer saber”. Eu respondia “manda”. Ele dizia “a leitora escreve: Eu saí com um cara e ele prometeu me ligar no dia seguinte e faz três meses que ele não me liga. Será que ele não gosta de mim? Assinado: Iludida do Grajaú”.
Eu respondia “Cara Iludida, o celular do seu namorado extraviou ou foi roubado e ele pode até estar machucado em estado grave sem poder se comunicar. Mas pode ter certeza que ele deve estar procurando desesperadamente por você. Todo homem cumpre a promessa que faz. Se ele prometeu ligar ele vai te ligar. Espere mais um ano e meio para ter certeza que ele não vai mais te achar. Mas ele te ama. Assinado: Guru do Amor”.
Passava um tempo e surgia outra dúvida da leitora. Meu amigo me chamava de novo “a leitora quer saber”. Eu respondia “manda”. Ele dizia “a leitora escreve: Caro Guru do Amor, meu marido tem falado o nome de Paula enquanto dorme. Meu nome não é Paula. Quando eu o acordo ele diz que não se lembra de nada. Tenho desconfiança de que ele está me traindo. O que me aconselha? Assinado: Desconfiada da ZL”.
Eu respondia “Cara Desconfiada não se torture, pois todo homem é fiel. Na verdade o seu nome poderia ser Paula em uma vida passada. Alguns homens tem o poder de acessar memórias de vidas passadas. Confie no seu marido, ele é um santo e tem este poder especial. Assinado: Guru do Amor”. Em outro dia aparecia mais dúvida da leitora.
Meu amigo novamente me chamava “a leitora quer saber”. Eu respondia “manda”. Ele dizia “a leitora escreve: Caro Guru, meu marido tem chegado muito tarde dizendo que tem muito serviço no escritório. Eu faço a comida com todo o carinho, mas ele não tem vontade de comer. Será que ele está comendo fora? Assinado: Cozinheira Zona Sul”.
Eu respondia “Cara Cozinheira, ele está comendo fora com certeza. Eu entendo disso porque tenho muito serviço aqui na revista. Quando é preciso ficar até mais tarde no serviço os homens costumam pedir pizza para poder suportar o trabalho duro. O coitado do seu marido tem que comer pedaços de pizza fria e borrachuda sonhando com o seu maravilhoso jantar. Mas ele se sacrifica para trazer o sustento para o lar. Abrace-o quando ele chegar e não se importe se perceber um perfume ou um batom no colarinho, pois quando o homem trabalha até tarde algumas coisas desse tipo costumam acontecer. As coisas no trabalho ficam muito confusas e homens entram no banheiro feminino, as mulheres entram no masculino e um esbarra no outro e sempre ocorrem acidentes. Todo homem que trabalha duro precisa de carinho e compreensão da dedicada esposa. Assinado: Guru do Amor”.
Uma nova dúvida da leitora e ele me chamava “a leitora quer saber”. Eu dizia “manda”. Ele dizia “a leitora escreve: Caro Guru, meu namorado e eu estamos 17 anos juntos e sempre que falo em casamento ele me diz que vamos nos casar assim que a situação melhorar. Estou com quase 40 anos e eu tenho medo que ele não queira se casar. Estou ficando sem paciência. O que faço? Assinado: Impaciente do Irajá”.
Eu respondia “Cara Impaciente, a situação não está fácil para ninguém. Não se desespere. Espere mais uns 12 anos para ver se a situação melhora. Até lá trate seu namorado com bastante carinho para ele continuar feliz ao seu lado e não fale em casamento porque ele pode ficar bravo com você. Assinado: Guru do Amor”.
E assim a gente ia levando a árdua rotina do trabalho na empresa e aproveitando para fazer um serviço de utilidade pública esclarecendo as dúvidas das leitoras.
E você? Qual a sua dúvida? Mande sua pergunta para o correio sentimental e receba a orientação profissional do Guru do Amor. Tava pensando aqui...

sábado, 12 de agosto de 2017

Tavapensandoaqui que tenho dificuldades com as escolhas

Tavapensandoaqui que tenho dificuldades com as escolhas. Estou na frente do computador. “Como você está se sentindo?”, pergunta-me o Facebook na hora que eu abro a rede social. Eu respondo, “sei lá, quais as opções disponíveis?”. Tem um monte de carinhas disponíveis para eu me guiar. Creio que sou racional demais para me sentir com algum sentimento logo que abro a rede social. Agora estou sentindo dor na panturrilha esquerda, devido à partida de tênis jogada pela manhã. Terei problemas para andar nos próximos dias. Deixa-me procurar na lista do Facebook se tem “dor na panturrilha esquerda” como opção. Viu? Não tem, foi o que pensei. Outra possibilidade: acho que estou sentindo-me pensativo, talvez. Pensativo é um sentimento? Preciso de listas para me posicionar perante alguma coisa. O que você prefere? Tenho problemas em responder isso. Quem é o melhor jogador de futebol dos últimos tempos? Não sei. Qual o critério? Acho que é aquele que fez mais de mil gols, portanto é o melhor, caso encerrado. Além disso, ele foi do meu time, então o caso está encerrado duas vezes. Preciso de lista, de uma lista que me diga quais os critérios de escolha e quais as opções disponíveis. Se eu fosse um jurado de programa de TV seria o cara que ficaria em cima do muro e para todos daria a nota nove. Como vou saber se o primeiro a se apresentar é o melhor? Eu ainda não vi os candidatos seguintes para dizer que o primeiro é melhor. Recentemente respondi um questionário onde me perguntavam sobre um filme que marcou a minha vida. Veja a minha dificuldade em escolher o melhor filme que já assisti: de qual categoria? Ficção? Ação? Aventura? Romance? Comédia? Qual a diferença entre ação e aventura? Começo a ter problemas neste ponto. O que eu almejo para o futuro? Sei lá, quais as opções? Acho que sempre me dei bem com múltiplas escolhas. Vou eliminando as alternativas até ficar com o mínimo possível. Você prefere praia ou campo? Nessas horas minha primeira alternativa é “nenhuma das anteriores”, prefiro que não me façam perguntas. Eu gosto de gente determinada, aquela pessoa que responde “na lata” que adora praia. Então eu pergunto a essa pessoa determinada, se uma passagem pelas montanhas numa pousadinha com lareira e um fondue de queijo ou de chocolate não seria legal. E então a pessoa determinada responde na mesma hora que “ah, isso também gosto”. Isso é que é determinação, não é mesmo? Tudo tem sua atração, tudo tem seu lado cara ou coroa, como as moedas. Às vezes a moeda cai em pé. Já testemunhei isso acontecer quando eu jogava futebol de praia. A moeda ficou em pé na areia dura da praia de Santos, mais precisamente nas areias próximas do canal zero. Escolhas. Vou por aqui ou por ali? Sempre temos que escolher algo, achar algo, sentir algo. Vamos para o happy hour? Onde? Difícil escolher. Ninguém crava a opção na primeira vez. Vamos fazer um churrasco ou um almoço para reunir a família? Difícil escolher. E se a escolha estiver errada? Culpa sua, você que escolheu essa pizzaria lotada, eu queria ir àquela Temakeria. Escolhas, ó dúvida cruel! E você, como se sente em relação às escolhas? Tava pensando aqui...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Tavapensandoaqui sobre os felizes.

Tavapensandoaqui sobre os felizes. Texto maravilhoso de Socorro Acioli, Cearense, cuja obra eu desconhecia. Gostei demais então colei aqui, vale a pena ler. "Sobre os felizes"
Existem pessoas admiráveis andando em passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, sujeitos exemplares que superam toda desesperança. Tenho a sorte de conhecer vários deles, de ter muitos como amigos e costumo observar suas ações com dedicada atenção. Tento compreender como conseguem levar a vida de maneira tão superior à maioria, busco onde está o mistério, tento ler seus gestos e aprendo muito com eles.
De tanto observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todos e o que mais me impressiona é que são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte deles, está intrínseco. Vivem um dia após o outro desfrutando de uma alegria genuína, leve, discreta, plantada na alma como uma árvore de raízes que força nenhuma consegue arrancar.
Dos felizes que conheço, nenhum leva uma vida perfeita. Não são famosos. Nenhum é milionário, alguns vivem com muito pouco, inclusive. Nenhum tem saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam e enfrentaram dissabores de várias ordens. Mas continuam discretamente felizes.
O primeiro hábito que eles têm em comum é a generosidade. Mais que isso: eles têm prazer em ajudar, dividir, doar. Ajudam com um sorriso imenso no rosto, com desejo verdadeiro e sentem-se bem o suficiente para nunca relembrar ou cobrar o que foi feito e jamais pedir algo em troca.
Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com a dor do outro, querem colaborar de alguma maneira. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, doam o próprio tempo, suas horas de vida, às vezes dividem o que têm, mesmo quando é muito pouco.
Eu também observo os infelizes e já fiz a contraprova: eles costumam ser egoístas. Negam qualquer pequeno favor. Reagem com irritação ao mínimo pedido. Quando fazem, não perdem a oportunidade de relembrar, quase cobram medalhas e passam o recibo. Não gostam de ter a rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem uma bondade qualquer, calculam o benefício próprio e seguem assim, infelizes. Cada vez mais.
O segundo hábito notável dos felizes é a capacidade de explodir de alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo de felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir. E seguem infelizes.
O terceiro hábito dos felizes é saber aceitar. Principalmente aceitar o outro, com todas as suas imperfeições. Sabem ouvir sem julgar. Sabem opinar sem diminuir e sabem a hora de calar. Sobretudo, sabem rir do jeito de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: amo você e todas as suas pequenas loucuras.
Escrevo essa crônica, grata e emocionada, relembrando o rosto dos homens e mulheres sublimes que passaram e que estão na minha vida, entoando seus nomes com a devoção de quem reza. Ainda não sou um dos felizes, mas sigo tentando. Sigo buscando aprender com eles a acender a luz genuína e perene de alegria na alma. Sigamos os felizes, pois eles sabem o caminho...

(Autora: Socorro Acioli - Escritora)

domingo, 6 de agosto de 2017

Tavapensandoaqui que Amélia decidiu trabalhar

#tavapensandoaqui que Amélia decidiu trabalhar. 
Com diploma do ensino superior na mão, falando três línguas estrangeiras, Amélia foi até o local onde estavam solicitando “Vagas para auxiliar de entregas no exterior: desejável falar três línguas, ter boa aparência, disposição, disponibilidade para trabalhar finais de semana e diploma do ensino superior. A empresa oferece transporte e refeições”. 
O local da seleção estava repleto de gente e ela seguiu a fila que fazia um “U” até se posicionar no terceiro quarteirão. Assustou-se com a rapidez com que a fila se movimentava e em poucos minutos estava na rua onde podia ver a entrada da casa onde se fazia a seleção. Pessoas entravam com a mesma velocidade que saíam e ela logo chegou ao portão onde respondeu às perguntas do segurança em três línguas diferentes. Quem não respondia era descartado na porta. Admitida no recinto, ela dedicou alguns minutos ao preenchimento da ficha de número 287 onde algumas perguntas tinham que ser respondidas nas três línguas que a pessoa dominava. Ela era de classe média, sua fluência nas línguas Italiana, Inglês e Frances vinham da família Italiana onde ela nasceu e da adolescência no Canadá onde as línguas Francesas e Inglesas são obrigatórias para se virar por lá. 
Terminada a ficha aguardou sua vez e fez a entrevista. O cargo era de “Auxiliar de entregas no exterior” e ela ficou feliz quando disseram que ela estava apta para a vaga. Dia seguinte se apresentou trajando roupa confortável, como foi recomendada pela empresa, pois ela seria treinada para exercer a função. A empresa fornecia transporte e refeição e ao se apresentar para o trabalho foi levada junto com outras pessoas para o transporte que a levaria para o local do trabalho. 
O motorista levou-a até o pátio onde lhe aguardava uma Besta, aquela Van para nove passageiros. Recebeu uma mochila e um avental verde e azul. Sentou-se junto aos demais e abriu a mochila que dentro tinha uma boa quantidade de panfletos do ultimo lançamento imobiliário de um bairro nobre. No fundo da mochila um pequeno pacote embrulhado em papel alumínio trazia o lanche que ela poderia comer em quinze minutos do intervalo, conforme lhe avisaram. Ela arguiu ao chefe: “Vamos entregar panfletos nos cruzamentos da cidade?” ao que o chefe respondeu: “Sim, um trabalho bem puxado, faça chuva ou faça sol, fins de semana, estaremos sempre alertas!”. Ela retrucou: “Mas para que falar três línguas e tudo o mais?”. O chefe respondeu: “Porque somos uma cidade turística e temos que estar preparados para atender pessoas do mundo todo. Vai que eles tenham dúvidas e perguntem alguma coisa para nós?”. 
E assim Amélia começou a trabalhar. Pois é. 
As vagas disponíveis atualmente para executar funções básicas, exigem que você tenha formação “genérica e específica” em diversas ferramentas, diploma superior ou superior ao superior, conheça vários idiomas, tenha horário flexível, condução própria, garra, energia, boa comunicação, boa aparência, disponibilidade para viagens, trabalho em equipe, espírito empreendedor e muito mais. Velhos, negros, gays, gordos ou feios serão descartados sem que isso seja feito de forma clara, pois o patrulhamento do politicamente correto estará atuante. Quando você vê a remuneração oferecida de até três salários mínimos, percebe que estão lhe fazendo de besta. Não tem como escapar. Certo estava Ariano Suassuna quando disse: “É tanta qualidade que exigem para dar emprego que não conheço um patrão com condições de ser empregado”. Tava pensando aqui...

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Tavapensandoaqui no homem do século passado

Tavapensandoaqui no homem do século passado. Aquele que atendia ao telefone com fio, assistia TV em preto e branco e ouvia radio em ondas curtas. Alguns mais abastados tinham vitrolas onde tocavam os LPs de 78 rotações. Se você procurar bem ainda deve encontrar alguns exemplares desses homens primitivos em perfeito estado de funcionamento andando pelas ruas, com suas calças largas gastas pelo tempo e arrastando pelo chão, sapato de couro gasto, mal engraxado, reparado pelas meias-solas e com suas camisas sociais puídas, gastas pelo tempo que são testemunhas de muita experiência de vida. Pode vê-los indo em direção a uma praça para encontrar outros seres primitivos e juntos darem comida aos pombos ou jogarem uma partidinha de damas ou um carteado. Esse homem primitivo caminhava uns bons quilômetros para ir de casa ao trabalho, usava roupas cinzentas, sem cores (será que as roupas não tinham cores ou eu me lembro disso porque vejo as fotos antigas em preto e branco?). Esse homem do passado vivia em casas com bom espaço de quintal onde criava animais e onde ficava a bancada de ferramentas que servia para fazer os reparos do telhado, das calhas, dos sofás que perdiam uma ou duas pernas e eram amparados por listas telefônicas, ou ainda usar as lixas para desenferrujar as cadeiras e mesas da cozinha que enferrujavam depois da primeira semana após terem chegado das lojas Arapuã. O homem antigo esperava pelo aquecimento das válvulas do aparelho de televisão, esperava que a imagem fosse se formando e aumentando até atingir as bordas das velhas Telefunken. Subia em telhados para arrumar a antena da televisão. Aos gritos das mulheres dizendo “mais prá lá ou mais pra cá” o homem primitivo “trepava” nos telhados para arrumar a antena espinha de peixe e depois sentava ao sofá para ver, babando (mais de sono do que de desejo, diga-se de passagem) as belas Chacretes nas tardes de sábado. Agora estamos numa nova era. Já passamos por diversas delas, tivemos o homem Paliolítico, o Mesolítico e o Neolítico. O homem de hoje não espera mais nem um minuto por nada. Quer tudo imediatamente. É informação imediata, resposta imediata, lucro imediato, decisões imediatas. O que demorava horas para ser feito, agora demora minutos e o homem de hoje não tem paciência de esperar. A comida fica pronta em minutos no microondas. A água fervente faz o macarrão no copo ficar pronto imediatamente. A comida pedida pelo aplicativo tem que chegar em minutos, quente e fresquinha. Ao sentar-se à mesa o garçom deve estar ao seu lado atendendo ao pedido. E a comida tem que vir no minuto seguinte. A televisão é ligada e a imagem aparece instantaneamente. O clique no site da Internet tem que responder em segundos. Tudo agora é imediato. Com isso, a pressa de quem pede contamina a calma de quem é cobrado. A população fica ansiosa, em estado de ansiedade. Olhos arregalados, esbugalhados pelo acompanhamento do videogame de ultima geração. A população atual está ansiosa por novos recursos nos celulares, novas formas de assistir filmes em 3D, novas maneiras de aprender a falar línguas em semanas. A ansiedade cresce, remédios são criados para combater as doenças na ânsia de buscar saúde imediata e rapidamente. Fazer exercícios deixou de ser suficiente, o auxílio de produtos energéticos acelera o crescimento dos músculos visíveis e diminui os outros que estão escondidos dentro da cueca. Estamos entrando agora na era do homem Ansiolítico. Não é não? Tava pensando aqui...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Tavapensandoaqui na evolução do CPD para empresa de Soluções de TI

Relembrando uma das cronicas do livro #tavapensandoaqui, sobre o profissional de TI e sua desvalorização no mercado de trabalho.


Tavapensandoaqui na evolução do CPD para empresa de Soluções de TI. Centro de Processamento de Dados – CPD - era o nome pomposo do local onde ficavam os computadores mainframe no século passado e todas as grandes empresas tinham orgulho de mostrar aos clientes, fornecedores e concorrentes. No CPD envidraçado para todos verem, trabalhavam profissionais bem remunerados para fazer as informações da empresa fluírem de forma correta dentro da empresa. Grandes computadores ocupavam salas refrigeradas, esterilizadas e com cabeamento subterrâneo para manter os caríssimos equipamentos. Um programador em inicio de carreira ganhava por mês 8 vezes o valor de uma mensalidade de Faculdade de Engenharia (eu próprio). De CPD a área passou a chamar Informática. Nesta época chegaram os PC, Personal Computers com seus vídeos cabeçudos, suas impressoras matriciais portáteis e seus abafadores de ruído enormes, verdadeiros trambolhos. De Informática a nomenclatura evoluiu para Soluções de TI – Tecnologia da Informação. E o telefone celular hoje tem mais capacidade de processamento que um CPD antigo. E o técnico em TI hoje ganha menos que o dobro de uma mensalidade de uma Faculdade de Engenharia. O que aconteceu entre o tempo do CPD e a atual fase de Soluções de TI? Aconteceu que as grandes empresas inventaram que deveriam trabalhar apenas no seu nicho de especialização e retiraram de dentro de si os profissionais que não tinham nada a ver com a sua atividade principal. Por exemplo, um Banco ou Fábrica não precisam de uma profissional que varre o chão, limpa os móveis e os banheiros. Terceirizou. Não precisa de alguém para fazer o cafezinho e o almoço do pessoal. Terceirizou. Não precisa de um segurança. Terceirizou. Não precisa de um especialista em eletricidade e ar-condicionado. Terceirizou. Não precisa de um profissional de TI. Terceirizou. O que aconteceu em comum com todas estas profissões? Uma faxineira de uma grande empresa ganhava melhor e tinha benefícios que a empresa dava. Perdeu tudo. Uma cozinheira e um garçom? Idem. Um segurança? Idem. Um mecânico e eletricista de manutenção? Idem. Um profissional de TI? Idem. E hoje o profissional de Tecnologia de Informação é considerado um prestador de serviço igual aos outros com a diferença que não usa uniforme. Ainda. Se bem que já vi os profissionais, acho que são da Harry Potter IT Solutions, pois entram no cliente portando a camisa azul escuro com as iniciais da empresa. Tava pensando aqui..

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Tavapensandoaqui que o impossível é só questão de opinião

Tavapensandoaqui que o impossível é só questão de opinião. Todos nós sabemos. Ou será que só os loucos sabem? Todo mundo tem um amigo louco. Se você não tem um, pare para pensar ou pense andando mesmo e veja se o louco é você. 
Todos nós devemos ter um sonho que desejamos realizar. Tudo que pensamos pode se tornar realidade, segundo consta em vários pensamentos filosóficos postados nas redes sociais e escritos em livros de auto-ajuda. Esse é o tal “Segredo” que um monte de fofoqueiros contou para todo mundo. Já aconteceu comigo. 
Quando eu era vice-troço de um sub-treco, década de 80, na minha gestão fizemos uma festa de fim de ano e compramos diversos mimos para distribuir no bingo beneficente em beneficio do próprio clube. Quando comprei o LP da minha roqueira preferida, olhei para ele e disse “é meu”. Tenho testemunha, embora não me lembre quem seja. Nessa época os artistas lançavam um LP por ano. 
Esses discos eram caros, não era todo mundo que tinha vitrola para tocar os discos e nem todos tinham poder aquisitivo para comprar um monte deles. Chegou no dia do bingo, a minha cartela daquele mimo foi a vencedora. Poder do pensamento. Um amigo tinha uma bicicleta com freio a tambor no pedal traseiro e começou a fazer macaquices pela pedreira que ficava na esquina da minha casa no bairro do Marapé em Santos. 
Falamos diversas vezes para ele não pular um determinado obstáculo e ele acreditou que era possível. Foi com tudo. Depois que saiu do hospital com fraturas em diversos lugares acabou se recuperando bem. Acho que era um cara de pouca fé. 
Quando você deseja muito alguma coisa com muita fé o Universo conspira para realizar seu desejo. O Universo atualmente está muito cheio de pedidos para ganhar na Mega Sena, melhor não insistir neste desejo. Para conseguir aquilo que você deseja você deve ter fé e merecimento. Se tiver dinheiro talvez o pedido seja mais fácil de realizar. Mas se esse não é seu caso, muito trabalho será necessário para o sonho ser alcançado. 
Eu me formei recentemente como Coach e um amigo recente se interessou pelo assunto e me pediu uma explicação sobre o que se tratava. Eu lhe disse que se fosse explicar matematicamente, diria que é uma forma prática de chegar do ponto “A” ao ponto “B” de maneira rápida. Ele perguntou então se era igual ao Ubber. Eu lhe disse que não. Que era uma forma de tornar seu sonho realidade. 
Ele disse que tinha um sonho de ganhar um milhão de reais. Perguntei o que ele estava fazendo para realizar o sonho. Ele disse que não estava fazendo nada de especial, jogava na loteria de quando em vez. Disse-lhe que, caso ele não fizesse nada, não iria ter um milhão do dia para a noite. Perguntei-lhe o quanto ganhava ao mês. Peguei o valor que ele me passou e usei como divisor para o valor de um milhão. Ao ver o resultado em anos, ele decidiu que seu sonho agora era juntar uns vinte mil reais. 
Podemos também ajustar nossos sonhos, mas o impossível é mesmo questão de opinião. Que tal pensar sobre o assunto? Qual o seu sonho? Você está trabalhando para torná-lo realidade? Tava pensando aqui...